Dona J.
Todas as moças bem-vestidas e bem-educadas de vinte e poucos anos em algum momento de sua juventude irão encontrar a Dona J..
Nos dias atuais a Dona J. pode ser sua tia, a tia de alguém, a cunhada da vizinha, a mãe da amiga, a professora da faculdade, e, pasmem, até mesmo um homem. Mas Dona J. é sempre uma pessoa que já passou faz um bom tempo dos vinte e poucos.
Uma pessoa atenciosa, meiga, um pouco venenosa e fofoqueira, Dona J. adora falar da vida de parentes que você nunca viu, de conhecidos famosos, e contar estórias sobre a vida alheia.
Mas o que diferencia a Dona J. de todas as outras pessoas velhas e fofoqueiras é que a Dona J. é uma alcoviteira.
Em outras palavras, Dona J. vai querer arranjar casamento pra você.
E o dia do seu encontro com Dona J. é um divisor de águas.
Hoje foi meu dia.
Minha Dona J. é vizinha de papai, e, como Dona J. nunca aprendeu a fazer a declaração pro IR, papai, um fiscal aposentado, todos os anos, senta-se ao lado de Dona J. para ajudá-la com a tarefa indigesta.
Hoje Dona J. apareceu para o almoço pela primeira vez.
A hora havia chegado.
- Ah, essa é sua filha. Nossa, como ela bonita, elegante...tem um ar de inteligente! Seu pai disse que você estuda na USP, não é? (...) Sabe, o filho do meu sobrinho também estuda lá. Faz engenharia! Ele é muito inteligente, super-educado, alto, bonitão...bonito mesmo, não é porque é da família não. (...) Você mora aqui do lado não é? Ele mora duas ruas pra baixo! Olha que perto! (...) Você precisa conhecer o L. F. (sim, agora ele já tem até nome)! (...) Olha, passa lá em casa um dia desses que eu faço coalhada seca!
A partir deste encontro minha vida pode mudar.
Eu posso decidir andar três quadras até a casa de Dona J. no próximo domingo pra comer coalhada...eventualmente esbarrar com o tal L.F. e...bom, não preciso contar o resto da estória...ou então...sentar com o pote de iogurte diet na frente da TV.
É...vou precisar sair pra comprar iogurte, coalhada demora muito pra ficar pronta, é meio insossa e quando você finalmente vai comer, ela já azedou.
Nos dias atuais a Dona J. pode ser sua tia, a tia de alguém, a cunhada da vizinha, a mãe da amiga, a professora da faculdade, e, pasmem, até mesmo um homem. Mas Dona J. é sempre uma pessoa que já passou faz um bom tempo dos vinte e poucos.
Uma pessoa atenciosa, meiga, um pouco venenosa e fofoqueira, Dona J. adora falar da vida de parentes que você nunca viu, de conhecidos famosos, e contar estórias sobre a vida alheia.
Mas o que diferencia a Dona J. de todas as outras pessoas velhas e fofoqueiras é que a Dona J. é uma alcoviteira.
Em outras palavras, Dona J. vai querer arranjar casamento pra você.
E o dia do seu encontro com Dona J. é um divisor de águas.
Hoje foi meu dia.
Minha Dona J. é vizinha de papai, e, como Dona J. nunca aprendeu a fazer a declaração pro IR, papai, um fiscal aposentado, todos os anos, senta-se ao lado de Dona J. para ajudá-la com a tarefa indigesta.
Hoje Dona J. apareceu para o almoço pela primeira vez.
A hora havia chegado.
- Ah, essa é sua filha. Nossa, como ela bonita, elegante...tem um ar de inteligente! Seu pai disse que você estuda na USP, não é? (...) Sabe, o filho do meu sobrinho também estuda lá. Faz engenharia! Ele é muito inteligente, super-educado, alto, bonitão...bonito mesmo, não é porque é da família não. (...) Você mora aqui do lado não é? Ele mora duas ruas pra baixo! Olha que perto! (...) Você precisa conhecer o L. F. (sim, agora ele já tem até nome)! (...) Olha, passa lá em casa um dia desses que eu faço coalhada seca!
A partir deste encontro minha vida pode mudar.
Eu posso decidir andar três quadras até a casa de Dona J. no próximo domingo pra comer coalhada...eventualmente esbarrar com o tal L.F. e...bom, não preciso contar o resto da estória...ou então...sentar com o pote de iogurte diet na frente da TV.
É...vou precisar sair pra comprar iogurte, coalhada demora muito pra ficar pronta, é meio insossa e quando você finalmente vai comer, ela já azedou.

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